Consumo de suplementos alimentares, em grande variedade no mercado, deve ser feito de forma cautelosa. Médicos alertam para a necessidade de avaliação nutricional anterior

Óleo de cártamo, ômega-3, goji-berry, cálcio, chia, chá verde: pílulas podem ser valiosas, desde que usadas com moderação

O que vai no prato pode ter efeito significativo sobre nossa saúde, prevenindo e mesmo tratando doenças. Mas uma busca excessiva por viver alguns anos a mais pode estar garantindo efeito contrário para aqueles que apostam em suplementos de forma indiscriminada e sem orientação médica ou nutricional. Minerais, multivitamínicos, nutracêuticos, suplementos… a oferta de cápsulas é incontável e preocupante, porque muitos estão consumindo esses produtos sem se preocupar com necessidade, dose correta, efeitos e interação com medicamentos, por exemplo. Afinal, quando essas formulações são bem-vindas?

Primeiro, é preciso diferenciar os nutrientes, que estão divididos em grupos. Os macronutrientes são os carboidratos, gorduras e proteínas; enquanto os micronutrientes são as vitaminas e minerais. Segundo a nutricionista e doutora em ciência de alimentos Janaína Goston, a dieta adequada e balanceada inclui todos eles em quantidades apropriadas e proporcionais, oferecendo as necessidades nutricionais de um indivíduo. Para a especialista, em geral, não há necessidade de se fazer suplementação de qualquer nutriente quando se tem como hábito uma dieta balanceada.

A suplementação e/ou complementação, para a nutricionista esportiva Rafaelly Cristina Silva, só deve ser usada quando a alimentação não for suficiente para suprir as necessidades. “Considerando que a reeducação alimentar não ocorre do dia para a noite, os suplementos podem ser utilizados como uma forma de garantir as necessidades do organismo de maneira mais rápida, porém sempre com cautela, pois os efeitos da superdosagem podem ser piores que os da falta. Em quantidades exageradas, podem ser tóxicos e causar danos, como sangramentos e distúrbios neurológicos”, alerta.

Isso não quer dizer que, quando necessários, os suplementos não sejam extremamente importantes Ao suplementar a dieta com vitaminas e minerais adicionais, os multivitamínicos podem ser uma ferramenta valiosa para aqueles com desbalanceamento na dieta ou que tenham necessidades nutricionais diferenciadas. Mulheres grávidas e idosos são um exemplo, e podem precisar de algo receitado pelo médico. Mas a regra geral é clara: não devem nunca ser consumidos por moda ou indicação de amigos, e sim por especialistas após exames específicos.

ALERTA

O U.S. Preventive Services Task Force, órgão americano independente que faz revisões sistemáticas da literatura médica, recomendou, no início do ano, que pessoas saudáveis não tomem suplementos de vitamina E ou de betacaroteno. Além das cápsulas não terem benefícios comprovados, uma revisão de pesquisas recentes sugere que elas podem prejudicar a saúde. Segundo o órgão, há fortes evidências de que os suplementos de betacaroteno aumentam o risco de câncer no pulmão em pessoas com predisposição à doença. No caso da vitamina E, os dados não confirmam se os suplementos podem realmente proteger contra câncer e doenças cardíacas.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>