Polivitamínicos manufaturados

São formulações padronizadas de vitaminas e minerais. Muitas vezes, não atendem às recomendações específicas do paciente.
Por outro lado, podem agravar um problema já existente devido à ingestão excessiva de determinado nutriente contido na fórmula. O adequado seria a prescrição de uma formulação personalizada, considerando as necessidades de cada um e os nutrientes na forma mais biodisponível.

Minerais e vitaminas manufaturados

As formulações isoladas devem ser avaliadas com cautela, pois o organismo atua com a cooperação de inúmeros nutrientes.
As doenças ósseas, por exemplo, não devem ser tratadas só com cálcio, pois dependem da ação de vários nutrientes. Alguns pacientes têm ingestão adequada de cálcio, mas seu déficit nutricional não permite a sua fixação nos ossos. Suplementado de forma isolada e em excesso, o cálcio pode causar a calcificação de outros tecidos e cálculos renais.

Chá-verde

É rico em catequinas e polifenóis, substâncias com propriedades
anti-inflamatórias que podem prevenir alguns tipos de câncer e doenças cardiovasculares, além de auxiliar na perda de peso. Pode ser benéfico em casos de estresse, diabetes, aterosclerose, obesidade. Se ingerido em excesso e sem orientação nutricional, pode atuar de forma contrária, com atividade pró-oxidante prejudicial ao fígado e aos rins.

ômega-3

Esses ácidos graxos são gorduras poli-insaturadas encontradas em algas e animais marinhos e sementes oleaginosas. Atuam em doenças cardiovasculares, processos inflamatórios, saúde mental e na ação da insulina. A maioria da população brasileira não consome a quantidade adequada desses ácidos graxos, sendo interessante sua suplementação orientada. Alguns estudos não recomendam a associação com medicamentos que inibem a agregação plaquetária ou em pacientes farão cirurgia.

Colágeno

Dá sustentação ao tecido cutâneo e participa da formação de cartilagens, ossos e outros tecidos. Sua formação depende de vitamina C, cobre, ferro, silício. A suplementação pode melhorar a elasticidade da pele e ajudar no tratamento de doenças articulares, desde que o estado nutricional esteja adequado. De modo geral, seu uso em pó é mais efetivo, uma vez que a quantidade recomendada (5g a 20g/dia) inviabiliza seu uso em cápsulas. Os estudos não relatam efeitos adversos nessas doses.

Goji-berry

Com propriedades antioxidantes e imunomoduladoras, a fruta é rica em flavonoides e vitamina C, que previnem doenças relacionadas ao envelhecimento, diabetes, câncer, obesidade, hipertensão, além de combater o estresse e proteger olhos e pele.
Em cápsulas, a concentração dos princípios ativos é maior, não devendo ser utilizada sem orientação nutricional. A vitamina C encontrada em abundância na goji-berry pode ter atividade pró-oxidante se ingerida em excesso e fora da matriz alimentar.

Óleo de cártamo

Não deve ser usado para o emagrecimento. Ainda não está claro quais os seus possíveis benefícios à saúde. No entanto, sabe-se que é um óleo rico em ácidos graxos ômega-6, já consumidos em excesso pela população brasileira, não sendo, portando, necessária a suplementação. O desequilíbrio entre a ingestão de ômega-6 e ômega-3 pode levar a alterações orgânicas, favorecendo a inflamação subclínica característica de doenças como diabetes, aterosclerose, hipertensão, obesidade e hipercolesterolemia.

1- Há uma oferta sem fim de vitaminas, minerais e suplementos em cápsulas. Quem pode usar?

A suplementação desses nutrientes é benéfica para muito poucas pessoas, desnecessária para a maioria e de potencial malefício para um bom número delas. O excesso de vitaminas antioxidantes (A, E, C), assim como de alguns minerais (selênio, zinco), com o intuito de prevenir doenças, tem sido relacionado à maior incidência de certos tipos de câncer e doenças cardíacas. O cálcio deve ser utilizado mais livremente por mulheres para prevenção da osteoporose, mas homens só devem suplementá-lo em casos de deficiência, pois seu excesso aumenta o risco de calcificações das artérias. A exceção é a vitamina D, que está deficiente na maioria das pessoas e, apesar de ainda limitadas as evidências, parece benéfica a sua reposição. Também a deficiência de B12 tem sido relacionada ao déficit cognitivo e há razões para mantê-la em níveis superiores à normalidade, sobretudo em dietas pobres nesse nutriente, caso de vegetarianos e idosos. Na expectativa de benefícios milagrosos, milhões de indivíduos se iludem, correm riscos de efeitos adversos e gastam os seus recursos que deveriam ser empregados em alimentação saudável, rica em frutas e hortaliças, a fonte natural e ideal de aquisição de vitaminas e minerais. Curiosamente, a maioria das pessoas não faz uso regular de medicamentos imprescindíveis à saúde.

2 – Quais os riscos do uso indiscriminado?

Pesquisas revelam que os antioxidantes não só não preveniram como aumentaram a incidência de câncer, como o de pulmão, e infarto do miocárdio. Muitos multissuplementos, amplamente consumidos, têm excesso de ferro, iodo, sódio, potássio, betacaroteno e outros elementos que, em algumas pessoas, podem provocar doenças.

3 – Quais os efeitos da combinação desses compostos entre si e com medicamentos?

O iodo pode promover disfunção tireoidiana e o sódio é capaz de elevar a pressão e descompensar o coração. A vitamina K pode reduzir o efeito de anticoagulantes orais; assim como os antioxidantes podem diminuir a ação das estatinas na redução do colesterol e prevenção do infarto. O importante é discutir com o médico os potenciais prós e contras antes buscar um suplemento, mas, geralmente, as pessoas compram antes e perguntam depois.

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